quinta-feira, 18 de junho de 2009

Anjo sem Asas...


Meus olhos já não repousam nos socalcos do Douro...
Minha cabeça já não repousa no ombro do meu amigo...
Meus ouvidos já não escutam vozes familiares...
Meu coração já não é acalentado pelo aconchego de um abraço puro...

Sinto-me clandestina...
Longe de todos e de tudo aquilo que me preenche a alma...
O puzzle da minha vida está incompleto,
Faltam-lhe as peças de tudo aquilo que deixei para trás.
Daquilo de que sinto falta...

A minha voz tornou-se distante.
Meu olhar ancorou-se no horizonte.
Minha nau parou no tempo.
Não reconheço o meu “eu”...

Porquê esta saudade que me invade?
Porquê esta distância que nos separa?
Porquê esta sensação de vazio, de abandono?
Porquê o meu eterno e incessante porquê?

Sinto cada dia a tornar-se mais vazio...
Desci da montanha e agora dirijo-me para o fundo
Do mar...
De mim...
Do tempo...

Num novo habitat tento encontrar a felicidade.
Tento fintar a saudade...
Tento...
Mas torna-se difícil!
Sinto-me um peixe sem água,
Um pássaro sem céu,
Um Anjo sem asas...

Caminhei...


Caminhei...
Caminhei ao teu lado...
Mas seguimos rumos diferentes.
Voltei a caminhar...
Sozinha...
Voltaste a caminhar a meu lado...
Mas mesmo assim permaneço sozinha,
Clandestina na minha própria vida.

Sigo o meu caminho, caminhando lentamente
Na solidão da alma e da noite.
Estás a meu lado nesta caminhada,
Dás-me a mão para ultrapassar uma vicissitude,
Todavia, não te sinto presente em mim...
Caminhas, acompanhas os meus passos
E eu os teus...
Seguimos o mesmo caminho.
Seguimos diferentes sonhos.
Trilhamos o mesmo solo,
Avistamos diferentes horizontes...

Uma caminhada nos une,
Um caminho nos separa...