
Se as pedras da calçada falassem,
Cantariam o som dos meus passos...
Passos que caminham errantes
Reflectindo o tempo que não volta...
Se as pedras da calçada falassem,
Diriam o sabor da chuva...
Do sol...
Das lágrimas...
Se as pedras da calçada falassem,
Cantariam tudo aquilo qua ainda há para dizes!
Como é dura a vida!
Como é dura a distância!
Se as pedras da calçada falassem,
Diriam a esta vil sociedade quem já nelas dormiu
Com o corpo rodeado de caixotes
E o coração de sofrimento.
Se as pedras da calçada falassem,
Espalhariam pelos quatro ventos
Quantos pés já viram sangrar...
Quantos olhos já viram chorar...
Se as pedras da calçada falassem,
Diriam quantos corpos enrolados em farrapos
Já se aconchegaram para descansar
Para olhar para o céu e voltar a acreditar.
Se as pedras da calçada falassem,
Conduziriam os pés que repousam em dinheiro
Para a mais escondida ruela
Onde existem pés sem sapato nem pele...
As pedras da calçada não falam.
Mesmo assim, toda a gente vê!
Toda a gente sabe aquilo que está escondido
Nas florestas de prédios!
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