sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Janela


Fechei os olhos com força!
Pouco a pouco desanuviei a pressão
Na ténue esperança de adormecer…
Via nitidamente o luar a trespassar a persiana mal fechada da janela.
Aquela janela, a minha porta para o mundo!
Da janela tudo é meu!
Posso moldar a paisagem perante a minha alma
Pinta-la de mil e uma cores ou apenas torna-la num retrato a preto e branco.
Tenho esse poder! A janela facultou-mo!
Todavia, também a paisagem me manipula!
Quando sorri para mim, alegra-me a alma
Quando chora, choro com ela…
Sei que tudo se passa do outro lado da janela:
Ainda a pouco, vi o sol a esconder-se no horizonte
E a lua a erguer-se majestosamente entre um manto de estrelas.
Agora, lá fora o luar mistura-se com as luzes artificiais da cidade
E invadem a escuridão do meu quarto
Marcando as paredes caiadas de nívea com pequenos raios de luz.
Sei que falta pouco para a lua continuar a sua dança constante com o sol
E, desaparecer…

A minha dor tem o teu nome


Sei que estás longe…
Bem longe… Não sei ao certo precisar onde
Mas, estás longe…
Não estás aqui, ao meu lado…
O silêncio da noite traz o som da tua voz
Vinda de todas as direcções e, de longe…
Sinto o peito a apertar,
As paredes a esmagarem-me,
O próprio ar asfixia-me.
Na sombra da noite vejo o teu vulto
As nuvens brancas, que se salientam no céu azul,
Escrevem o teu nome
E, nessas letras a minha dor…