sábado, 10 de maio de 2008

O Tudo que é Nada...


Edificado pelas mãos dos Deuses, maltratado pelas mãos dos Homens, actualmente o Peso da Régua encontra-se, só e simplesmente ignorado, esquecido.
Sem Hospitais, sem escolas, sem espaços culturais, tais como teatros, cinemas, a cidade do Peso da Régua encontra-se com um pé atrás em relação ao seu potencial.
Uma cidade que foi um tudo para o desenvolvimento de Portugal, cidade que é tudo para os seus habitantes e população das freguesias que a circundam, transforma-se num nada para os mais jovens e para os turistas, um nada para o resto de Portugal e do próprio Mundo. Esta cidade, que apresenta o Rio Douro como ponto fulcral de atracção turística, não apresenta rigorosamente mais nada de atractivo no intuito de cativar os turistas a passearem e de certa maneira contribuírem para o avanço económico da cidade.
Peso da Régua, uma cidade repleta de histórias e tradições, construída com suor e garra, abençoada por Baco, devido ao magnífico vinho que das encostas íngremes e idílicas do Douro sai, encontra-se resumida ao passado, presa ao barco rebelo, não acompanhando o resto de Portugal no fornecimento de espaços culturais e não incentivando os mais jovens a ficarem e fixarem-se nesta cidade.
Os jovens são esquecidos, não encontram, nesta cidade, nada que os incentive a passarem quer um fim-de-semana, quer as férias. No meu ponto de vista, se não fossem as raízes que os prendem a esta cidade, muitos já tinham partido. Não é em vão que os estudantes, ao finalizarem o 12.º ano, partem para outra cidade e só voltam para rever a família, pois também os amigos já partiram em busca de melhores condições, à procura de uma cidade que esteja minimamente a par do resto dos países desenvolvidos.
Por mais que me esforce não me consigo lembrar da última vez que ouvi um elogio referente a esta cidade. Sinceramente, a Régua só aparece nos jornais ou mesmo na televisão pelos piores motivos: cheias, encerramento das urgências, assaltos … o que ajuda a denegrir o nome da cidade e afastar os turistas. Isto tem de acabar! Daqui por alguns anos, esta cidade corre o risco de se transformar numa vila, habitada por idosos (se esses não forem levados pelos seus filhos para outra cidade).
Olhando para a paisagem que circunda a cidade ou mesmo vendo a cidade de longe, pode-se constatar que é linda, magnífica. Contudo ao penetrar-se na cidade, o entusiasmo inicial desvanece, dado que ela se resume a montras e edifícios que transmitem a história da cidade a “cair aos bocados” e um pouco “às moscas”, uma vez que não são aproveitados ao seu máximo para cativar a população. A própria estação de comboios que transporta um vai e vem de emoções é pobre, esteticamente pouco atractiva e acolhedora; a Alameda dos Capitães só apresenta uma paisagem bonita se olharmos de frente, pois se olharmos para baixo deparamo-nos com ruínas, que mostram um pouco da generalidade da cidade.
A Régua, já que se situa no Norte, também está a sofrer devido à pouca importância que o Governo atribui cá para cima, mas cabe a nós, quer reguenses quer nortenhos, modificar essa tendência e fazermo-nos ouvir, mostrar que, acima de tudo, somos Portugueses.
Se o futuro é dos jovens, compete a estes arregaçarem as mangas e tentar mostrar que chega de retóricas e discursos floridos mas vazios e, finalmente, passar à acção, mudar a tendência que reverte para um Norte cada vez mais pobre, deserto e envelhecido.
Tudo é possível, nada é impossível, basta acreditar e todos juntos renovaremos uma cidade que passará a ser tudo para todos.