sábado, 10 de maio de 2008

Retalhos de uma Vida


Olhando a Lua, majestosa e poderosa no céu enfeitado de estrelas, ela deu por si a recortar pequenos retalhos de recordações do grande livro da sua memória e a colá-los em cada estrela.
Uma recordação aqui… Outra ali… E outra… Ainda outra… Tantas eram, e tanto significavam para ela, que as estrelas, mais cintilantes do que nunca, faltaram para os pedaços das memórias que compõe a sua vida.
Olhando para todo o seu passado, ela encontrava-se feliz por tudo aquilo que passara. Uma vida juncada de abismos, de pedras, de obstáculos resumia-se agora em sucesso. Naqueles momentos mais difíceis em que o caminho se encontrava apinhado de buracos, de espinhos, ela nunca desistira e, em qualquer situação, ela tivera intrepidez para erguer a cabeça e seguir em frente.
Naquele tempo todos cogitavam que ela era louca. Ela simplesmente recusava as facilidades, dizia “Não!” quando lhe diziam para seguir aquele caminho, pois muita gente por ele tinha seguido. Ela queria ir mais longe, não somente até onde os outros tinham ido.
Tinha uma meta estipulada para si própria e recusava-se a todo o custo que lhe dessem a mão. Queria descobrir tudo com trabalho. Num mundo com tanto para descobrir devia existir algo que realmente ela conquistasse e chamasse verdadeiramente seu. Amava aquilo que toda a gente diligencia escapar.
Por vezes sentia-se sozinha, mas sempre se recusava a seguir as vozes que lhe sussurravam ao ouvido para seguir aquele rumo. O trabalho, para ela, era o alicerce para a edificação dos seus sonhos, para ultrapassar cada obstáculo.
Agora ela encontra-se feliz, pois para além de conseguir chegar ao pódio, tem a sensação de que ele é realmente seu, de mais ninguém. Tinha sido conquistado pelo seu suor, empenho e garra.
Por mais que o tempo passasse ela jamais se arrependera do caminho rugoso que ultrapassara. O troféu que ela ganhara, embora singelo, tinha um sabor especial, único, dado que o caminho que ela percorrera para o ter transformou esse troféu em algo colossal.
Cada vez que ela olhava para o céu tinha a sensação de penetrar no vácuo. Tinha o pressentimento de que ainda existia muita coisa para fazer. Cada segundo que passava mais repugnância tinha da ociosidade e mais asquerosas achava as pessoas que posavam para revistas, fingindo-se importantes, tal como imponentes estátuas em cima do seu pedestal, mas de cabeça oca, vazia.