sábado, 29 de novembro de 2008

O Verdadeiro valor


O Mundo gira. O tempo passa. Os ponteiros do relógio teimam em permanecer constante e monotonamente em voltas de 360.º graus.
Vejo o tempo passar. Ele passa... e vai passando... Mas, por mais que me esforce, não consigo compreender o valor que actualmente se dá àquilo que nos rodeia.
Porque é que o petróleo vale tanto dinheiro? As pessoas VIP serão felizes por aparecerem nas capas das revistas? Ou mesmo por possuírem carros e jóias que lhes custaram milhões? Se são felizes, será uma felicidade verdadeira?
Aparecem nas capas das revistas com um sorriso forçado, falso, só por possuírem rios de dinheiro, um carro topo de gama, diamantes e safiras no guarda-jóias, uma lista infindável de cidades e países que já visitaram, uma agenda assoberbada de festas... Mas, por dentro estarão realmente felizes? O seu dinheiro comprou realmente tudo quanto queriam? Poderá alguém olhar-lhes nos olhos e perceber o que se passa no seu interior, sem olhar primeiro para a sua recheada carteira, ou conta bancária? Não!
Às vezes pergunto a mim mesma se as pessoas que vivem em cima do seu pedestal conseguem olhar para baixo e ver o outro lado do mundo que as rodeia. Um mundo repleto de tristeza, de dor, de sofrimento...
Quantas crianças, neste mundo, terão acesso a comida diversificada em quantidade e qualidade? Quantos idosos terão com quem conversar durante vinte e quatro horas? Quantas crianças ainda não conhecem o amor dos pais? Quantos animais ainda não conhecem uma mão suave? Quantas mulheres ainda andam de cabeça baixa e olhos cheios de lágrimas?
Para estas questões e muitas mais ainda existem números avultados, mas são estas pessoas que nos põem a pensar na verdadeira vida, no valor que damos àquilo que nos rodeia. Queria tanto uns ténis Nike e deram-me uns Addidas... O que pensaram as pessoas que ainda andam descalças? Queria um computador portátil, mas por divergência deram-me um fixo, parece chato? E aquelas pessoas que ainda não sabem o que é um computador? Quantas pessoas vivem em constantes dietas, enquanto noutro lado as pessoas morrem à dieta? Quantas crianças choram, imploram uma ida ao McDonalds, enquanto outras ficam felizes simplesmente com uma maçã?
A nós, que vivemos num continente onde temos acesso a tudo, custa-nos acreditar que na outra metade do mundo existe a inexistência de quase tudo. O que para nós parece fútil e mesquinho, insignificante, para alguém com sentimentos iguais a nós pode ser a maior riqueza existente.
Mas sei que, lá no fundo, onde existe pobreza, miséria, também existe algo que torna as pessoas mais ricas do que a água do Rio Nilo transformada em dinheiro. Algo que transforma qualquer quantia monetária reduzida a pó, a cinzas, a nada: o valor de um amigo.
Quantas pessoas que vivem no mundo da fama se podem orgulhar de ter um amigo verdadeiro? Aqui o número desce vertiginosamente. Não existe valor para um amigo, ele só fala por si. A amizade é algo intocável e perpétuo. Sendo verdadeira, ultrapassa todos os obstáculos e instala-se cuidadosa e humildemente nos corações.
Um verdadeiro amigo não está acima nem abaixo, está sempre ao lado para o que der e vier, com uma mão seca as nossas lágrimas e com a outra afaga os nossos cabelos.
Se o euro a cada dia que passa vai alterando o seu valor face ao dólar, um amigo a cada segundo que passa tem mais importância na nossa vida.

O Meu Mundo


Anda!
Quero mostrar-te o meu mundo!
Quero mostrar-te as minhas ilusões...
Os meus medos...
As minhas fantasias...

Vem!
Este mundo não me diz nada,
Não me mostra cor,
Nem alegria...
Oh! Pudera eu ter o dom de o pintar.
Pintá-lo de mil e uma cores
Tal como o meu mundo!

Não tenhas medo, anda!
Sei que o meu mundo é distante
Mas, não assusta...
Lá não há amarras...
Não há mortes...
Não há ódio...
Não há raiva...

Queria que tu o visses...
Que o mundo o visse...
O meu mundo,
Onde tudo é perfeito!
Mas os meus olhos choram,
A minha alma chora...
O meu pensamento chora...

Oh! Meu miserável pensamento...
Meus miseráveis olhos
Que tudo vêem
E tornam a minha alma despedaçada.
Obrigando a fechar-me no Meu Mundo
Que só na minha imaginação ganha contornos
E se transforma em realidade.
Todavia, continua a ser lindo:
O Meu Mundo!

Anseio Palavras


Anseio palavras!
Não! Não essas floridas
Proferidas por abutres,
Que circulam em voltas
Constantes e monótonas,
Em torno de uma carcaça!

Anseio palavras!
Não palavras vazias,
Cheias de promessas ocas.
Palavras mandadas para o ar
Por predadores que da sua presa
Somente querem uma cruz!

Anseio palavras!
Aquelas que voam…
Leves e soltas…
Por serrarias e prados,
Tal mustang correndo errante,
Sem tempo, nem destino…

Anseio palavras!
Essas palavras ditas num murmúrio…
Num olhar…
Num silêncio…
Palavras suaves,
Das quais Vénus fez o seu dicionário,
E eu… o meu Mundo!

Anseio palavras!
Aquelas sem tempo…
Aquelas que vão para lá do infinito…
Aquelas que me protegem…
Essas mesmas:
As Tuas!

Sozinha nos meus pensamentos,
Procuro ser outra e não eu...
Não estar aqui
Nem ali...
Estar noutro lugar!

Anseio pelo 26 de Abril!
Que outra revolução acorde
Esta sociedade inerte
Que me envolve.
Estas falsas demagogias,
Que transformam a felicidade
Numa distante e inalcançável utopia.

O Lápis Azul era real,
Mas pior que ele...
É ele mesmo!
Esse Lápis Azul psicológico
Que me deixa encarcerada
Numa masmorra vazia,
Onde o silêncio
Dá lugar a lágrimas...

Será que ainda é precisa uma manhã de nevoeiro?
Ou uma música a passar na rádio?
Ou outro pinhal em Leiria?
Para que esta sociedade mesquinha
Volte a acreditar?

Estou fatigada!
Esta dor psicológica
Que me envolve e me repugna
Origina a minha doença física.
Este marasmo...
Esta letargia...
Estes discursos floridos
Cheios de retóricas vazias...
Deixam-me amarrada.
Presa a mim própria...
E ao mundo...

Numa simples tela...


Esta história não começa como outra qualquer, esta começa numa tela em branco, até ao dia em que a decidi pintar.
Queria pintar um mundo colorido, repleto de mil e uma cores. Com pessoas felizes, uma Natureza idílica e acolhedora, um sol resplandecente salientando a beleza natural de um mundo perfeito. Água jorrando, límpida e abundante, pelas encostas verdejantes de uma montanha. Contudo, as minhas mãos teimavam em pintar um mundo a preto e branco. Um mundo escuro, sem cor, sem vida... triste. Nada do que tinha planeado estava pintado, tudo tinha saído exactamente ao contrário. Sentia-me triste, desiludia comigo própria...
Não baixei os braços e decidi pintar a liberdade. Um belo cravo vermelho idealizei estampar naquela tela. Em primeiro plano o cravo e como fundo um azul claro com pombas brancas voando livre e errantemente pelos ares indo em busca do infinito. Todavia, e como da primeira vez, nada aconteceu como o previsto. Quando reparei, a tela estava coberta de armas, o vermelho do cravo estava transformado em sangue de guerra, as pombas fugiam espavoridas das bombas, o azul do céu estava manchado com enormes nuvens negras.
Fiquei descontente, já me considerava uma pinta-monos, mas continuei de cabeça erguida. Olhei à minha volta tentando encontrar algo que eu pudesse retratar naquela tela alva que se encontrava à minha frente. Por mais que me esforçasse não encontrava nada que chamasse a minha atenção. Tudo parecia monótono, triste. Eu queria transmitir algo diferente, único, feliz.
Nesse momento fui assaltada por diversos pensamentos. Primeiro vinham os maus. Os momentos mais difíceis, dolorosos e penosos da minha vida, para logo serem substituídos pelos mais bonitos, harmoniosos, graciosos. Momentos únicos e pequenos mas vividos com toda a intensidade.
Passada uma hora de reflexão em que todas as memórias passaram alternadamente como um filme pela minha cabeça, ganhei forças e peguei num pincel. Em todas as minhas recordações encontrei algo de comum que me ajudou a superar os momentos mais daninhos. Não sabendo como representar esse sentimento, optei por marcar o seu nome.
Comecei a delineá-lo de preto. Mas a palavra parecia ter vontade própria, pois à medida que a ia pintando ela aparecia representada num bilião de cores. Cores que transmitiam união, alegria, companheirismo, cumplicidade, força...
A palavra “Amizade” vincada naquela tela deixava transparecer tudo o que esse sentimento significa. Se para uns bastam palavras, para outros as palavras são poucas.
Pequenos gestos..., simples músicas..., banais palavras..., escassos segundos... podem marcar para sempre. Marcar uma pessoa para o resto da vida, provocando lágrimas e choros intensos. Como afirmou Vinicius de Moraes: “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida... mas é delicioso que eles saibam e sintam que eu os adoro, embora não o declare e os procure sempre...”.
Sei que os verdadeiros amigos não são aqueles que estão sempre connosco, mas sim aqueles que vêm quando o resto do mundo se vai embora, aqueles que não só partilham alegrias mas também as tristezas, os momentos bons e maus...
Como é difícil definir a Amizade! Talvez porque não tem definição, apenas é sentida. As acções e as palavras existentes em todo o mundo resumem-se a pó quando a amizade é intensa e vivida em toda a sua plenitude e inocência.
Agora estava feliz. Na tela eu deixava transparecer o sentimento mais lindo, sem sombras nem pudor. Ele só e o seu significado. A palavra falava por si.
A tela estava simples. Nada como a simplicidade para realçar a beleza das coisas escondidas, da pureza. Só a palavra marcava uma forte presença. As ideias estavam lá patentes, ficava ao critério de cada um, dependendo da amizade que o rodeia, tirar o seu significado.
Quando acabei, uma lágrima rolou pela face, não pela tristeza que sentia, mas sim pela força da AMIZADE...

Do Douro ao Divino


Sentada em frente da janela do meu quarto observo as vinhas e os socalcos que compõem a exuberante paisagem do Douro, aquele ex-libris que acalenta os corações e saceia os Deuses.
Paisagem edificada com muito suor e sangue, por mãos calejadas e ásperas, rostos queimados pelo sol escaldante de Verão e molhados pelas tempestades de Inverno, por pessoas que despendem nessas terras pedregosas do Douro muita força e trabalho e quando a noite cai e a Lua se levanta, linda e majestosa no céu, vem o cansaço que rapidamente se apodera daqueles corpos dormentes, doridos ligados à terra. O sono vem rapidamente mas sem sonhos, estes são transformados na ânsia de acordar na manhã seguinte e retomar aquilo que no dia antecedente ficou por concluir.
Quando o corpo amolece e pede um leito onde a suavidade dos lençóis o envolve, a força de vontade vem forte e instala-se firmemente. Aquela vontade de ver finalmente o seu esforço compensado uma vez que o dinheiro mal o ampara. Aquela vontade que regala os olhos, que envia para os calabouços da memória a dor física que se ultrapassa entre o Sol e a Lua, a vontade de ver sair daquelas videiras o néctar de Baco, a união dos Homens com os Deuses, os Homens elevam-se ao Divino e os Deuses descendem ao profano.
Trabalho após trabalho… Dia após dia, as encostas são esculpidas, trabalhadas e só mesmo o Rio Douro, que serpenteia até à sua foz, vê as maravilhas que o Homem opera e as marcas que o tempo coloca nos rostos daqueles que nunca baixam os braços…
Numa cepa despida, retorcida e triste deposita-se a esperança de uma nova vida, tal mãe que espera ansiosamente a conclusão do ciclo da sua gestação. Vê-se nascer as primeiras folhas, …, os primeiros ramos, …, os primeiros cachos, … até que a vinha ganha vida! O tempo passa e de verdes e amargas as uvas ganham uma doçura muito característica e um aroma que envolve todo o Douro indo em direcção aos Céus…
Contudo, como se não bastassem os trabalhos que o próprio trabalho exige, surgem outros. As pragas – tais como a tão recordada e devastadora filoxera, o míldio – que destroçam os corações fracos daqueles corpos que se habituaram a ser fortes e transformam as vinhas em imensos cemitérios… Nos olhos balançam as lágrimas, que rolam pela face e caem no solo do Douro marcando-o como ferro em brasa no corpo de um animal indefeso… Mas daquela lágrima, daquela colheita perdida surge uma nova esperança, um novo alento para aquelas almas funestas: a vontade de mudar o destino, para que o amanhã seja melhor, que traga um sorriso para compensar a lágrima que hoje foi derramada…
As mangas arregaçam-se e uma nova força nasce vinda não se sabe de onde. Serão os Deuses a incentivarem os Dourienses para continuarem a sua lavra? Será o próprio Douro, que após estar marcado com tantas lágrimas, quer ver dele sair a delicia do Olimpo?
Mesmo no meu quarto, quando o vento sopra e as folhas das videiras balançam ao sabor da brisa, sinto que são os Deuses ansiosos que o Douro dê sempre o melhor de si a cada ano, que console o trabalho daqueles que têm na vinha a sua própria vida, não se sabendo onde acaba uma e começa a outra…
E assim se constrói o Douro: num vai e vem continuo de trabalhos e esperanças…





Capas Negras


Actualmente, as praxes têm sido notícia e tema de muitas conversas desde os meios de comunicação social, passando pelos lares e, principalmente, no meio académico.
É normal, para quem vê as praxes do lado de fora, ter uma perspectiva diferente e vê-las como um meio de humilhação em que os caloiros são espezinhados pelos seus Doutores e Veteranos. O que não é normal é ver determinadas pessoas a opinarem sobre uma temática tão delicada e importante para a vida académica sem estarem minimamente informadas sobre o assunto em questão e é com repulsa que ouço “praxista” em vez de “praxante”...
O que é a praxe, afinal? Toda a gente conhece essa palavra, mas poucos sabem o seu verdadeiro valor. Utilizando a função metalinguística da linguagem, podemos defini-la como sendo uma regra, um sistema. Todavia, no mundo académico essa palavra simboliza muito mais!
Num novo mundo desconhecido, em plena transição do ensino secundário para o universitário, todos os alunos sentem-se perdidos, sentem-se como um barco à deriva em pleno oceano. Numa nova cidade onde não se conhece ninguém, vem ao encontro dos caloiros a praxe. No mundo académico, a praxe é um conjunto de tradições que variam de Universidade para Universidade, mas todas se centram num mesmo objectivo: a integração e a sociabilização dos novos alunos no seu novo habitat.
Correr atrás de um sonho acarreta, na maioria das vezes, dor e sofrimento. Mas qual o estudante que não sonha entrar no ensino superior? Qual o estudante que, ao ver na rua um universitário com o seu traje e a sua capa negra, não sonha acordado com o momento em que ele próprio exibirá a sua capa negra na terra natal?
A praxe, tal como a capa negra, engrandece e enobrece tanto o estabelecimento universitário como o próprio estudante. É durante o período de praxe que os novatos têm o primeiro contacto com o novo estabelecimento de ensino, vão conhecendo pouco a pouco a nova cidade e, acima de tudo, vão conhecendo os novos companheiros.
Durante a transição de estabelecimentos de ensino sente-se a falta de tudo: de uma mão amiga, de uma voz familiar, de um abraço bem apertado, das conversas banais, de um rosto conhecido ao percorrermos os corredores, da comidinha da mamã, dos verdadeiros Amigos... E, nesta altura, se os caloiros ficassem dependentes deles mesmos, sem ninguém que os ajudasse na sua integração, afundar-se-iam tal Titanic que, na sua trajectória, encontra um iceberg. Contudo, existem os Doutores que nos acompanham, mostram-nos a realidade académica e ajudam-nos a superar a saudade, a superarmo-nos a nós mesmos.
Entre grandes amigos existem aquelas músicas, aqueles programas de TV, aquelas conversas que todos partilham e gostam. Todavia, quando todos os caloiros se encontram a depender de si mesmo, sem conhecer o colega do lado, as praxes são o seu único elo de ligação, nem que seja por escassos segundos, os segundos suficientes para perguntar o nome, a cidade de origem ou quiçá as horas...
Ao início é muito doloroso! Apetece voltar atrás no tempo e pará-lo naqueles momentos que estão a ser vividos com aquelas pessoas que tanto nos dizem, mesmo nos silêncios, naqueles locais tão familiares e idílicos... No entanto, a vida coloca à nossa frente vários caminhos, cabendo-nos a nós optar por aquele que vai ao encontro do nossos sonhos e das metas que estipulámos, tendo sempre na memória e no coração aquelas grandes pessoas que passam pela nossa vida e, de certa maneira, nos ajudam a crescer.
Mas, se para os caloiros o início é doloroso, para as “Capas Negras” ainda é mais: acompanham-nos para todo o lado, ajudam na sua integração tanto na cidade como no meio académico, passam a ser a gota de água no meio do deserto e, como se isto não bastasse, começam a ter trabalhos académicos que têm de elaborar. No dia seguinte é visível o cansaço, as olheiras profundas naqueles rostos de estudantes que, para além da sua lavra académica, ainda estão dispostos a ajudar aqueles que estão a dar os primeiros passos.
Todo o mundo universitário necessita das praxes, são elas que marcam os caloiros e a entrada no ensino superior. Estamos neste mundo de passagem, a inexorabilidade do tempo torna o ser humano num ser frágil e mesquinho, dá a sensação que o tempo voa. Se não fossem as marcas, as recordações que deixa, dir-se-ia mesmo que voamos nas asas do tempo.
As praxes têm a sua faceta lúdica, divertida, cómica, mas acima de tudo interacção e companheirismo. Para se saber o verdadeiro valor da praxe deve-se primeiramente vivê-la na sua plenitude e pureza e só então opinar-se devidamente sobre essa temática.

sábado, 10 de maio de 2008

Simplesmente Portugal


Confesso que me custa a acreditar que foi o povo luso que desvendou o desconhecido. Que ousou sair do ócio e procurar o obscuro, trazer para o conhecimento e para a luz do dia o que se encontrava no desconhecido e na noite de milhões de quilómetros de separação.
Ao ler Os Lusíadas, obra épica de Portugal escrita por Luís de Camões, sinto orgulho de um país que, neste momento, me repugna. Como é possível que um país que apresenta uma história da qual todos os portugueses se orgulham se encontre, actualmente, em decadência total?
Uma história incrível, recheada de vários episódios bélicos, tais como a Batalha de Aljubarrota, a Batalha de Ourique…, que evidenciam a coragem e ousadia de um povo, mostrando uma mão forte e ainda audácia em enfrentar o desconhecido e vencer o medo, indo ao sabor do vento em direcção aos primeiros raios de sol do dia.
Portugal. Pequeno ninho numa grande floresta. Impulsionador principal da Europa, tirando esta da maresia em que se encontrava. Um Portugal que rebentou as amarras que o prendiam e, a partir de um pinhal de Leiria, construiu as suas naus e navegou por mares ainda virgens.
Mas onde está esse Portugal agora?
Se, no passado, este pequeno país foi grande, actualmente, encontra-se resumido à sua capital, querendo transformar esta, a todo o custo, numa grande metrópole cosmopolita, tal como Paris ou Nova Iorque. Assim, esquece-se que um país só voa mais alto se, como um pássaro, tiver as duas asas em perfeita sintonia. Portugal quer avançar estando o centro e sul um passo (ou mais) à frente, principalmente, do norte.
No passado, o nome do nosso país percorreu o mundo inteiro e, acima de tudo, era respeitado. Nos dias que correm, esse mesmo nome mal ultrapassa a fronteira. Outrora fomos um povo temido e conhecido mundialmente, agora Portugal, bem esmiuçado, resulta em Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Luís Figo, Mariza, vinho do Porto e pouco mais. Deixámos de ser conhecidos como grande nação que fomos e passámos a ser conhecidos por algumas individualidades.
Contudo, a ameaça à identidade nacional não termina. Portugal apresenta uma bandeira repleta de simbologia – os sete castelos, as cinco chagas de Cristo, vermelho (símbolo do sangue derramado nas batalhas), verde (símbolo da verdura e dos campos de cultivo), etc. – que foi içada nas naus e colocada em cada novo porto marcando a nossa área. Presentemente, essa bandeira só é erguida em ocasiões em que a Selecção Nacional de Futebol joga, como foi o caso do tão conhecido e recordado Euro 2004, do Mundial de 2006 e ainda da preparação para o Euro 2008. Fora essas ocasiões, o lema “À janela uma bandeira, no campo uma nação inteira” é esquecido e a nossa tão magnífica bandeira é arrumada e esquecida numa gaveta qualquer, perdendo-se o orgulho que nela se deposita quando estão a decorrer os noventa minutos.
Outro factor que me deixa estupefacta incide nas alterações estapafúrdias que decorrem a nível da educação, passando na economia, na administração, na reforma fiscal e acabando na saúde e investigação científica. Alterações que deveriam contribuir para que, principalmente os jovens vissem o futuro com bons olhos dentro do seu país e não como um futuro negro onde só a emigração parece ser a boa solução para uma vida estável. Os bens essenciais para uma boa qualidade de vida das populações estão a afastar-se vertiginosamente dos habitantes, como é o caso do encerramento de centros hospitalares e urgências (principalmente o Serviço de Urgências do Hospital D. Luís I, no Peso da Régua), um bom exemplo para as mudanças drásticas na saúde. Na educação é fulcral salientar o encerramento de escolas primárias que tornam, especialmente, as aldeias alvos de desertificação e, ainda, a utilização de aulas de substituição e o novo estatuto do aluno. No meu ponto de vista e ainda como estudante, vejo essas alterações como um meio de transportar para as escolas a imagem de uma cadeia e de encarceramento.
Com a entrada de Portugal na União Europeia, Portugal sofreu diversas alterações, tanto económicas como legislativas, que deveriam ajudar a nação lusa a erguer-se do buraco onde se encontra, sendo vantajoso na melhoria da qualidade de vida de todos os portugueses. Mas, por mais surpreendente que pareça, a nossa pátria utiliza a quantia monetária que a União Europeia nos fornece em projectos e construções desnecessárias e megalómanas. Não basta estar a par da Europa só em construções floridas, enquanto assistimos de braços cruzados ao encerramento desmesurado dos serviços essenciais.
Para se estar a par da Europa não basta dar um enorme e ríspido salto em direcção ao colossal em termos de construções. Primeiramente, é necessário alterar as mentes retrógradas da própria população, dos nossos governantes e políticos em geral, que se encontram ainda presas ao tempo e à época áurea de Portugal. Só alterando por dentro a nossa maneira de pensar é que finalmente poderemos mudar o rumo do nosso país e retomar um bom porto, outrora encontrado.
Voar sem Asas


Hoje, mais do que nunca, apetecia-me fazer algo completamente diferente, atirar a pedra ao charco, quebrar a rotina e a monotonia da minha vida, abrir a janela do quarto e gritar abruptamente.
Contudo, reparei que as forças escapavam das minhas mãos como a fina areia do deserto. Foi então que peguei num papel e numa caneta. Ao olhar aquele papel branco à minha frente, lembrei-me das lágrimas que secaram em folhas como aquela. Lembrei-me daqueles dias em que só a escuridão me acolhia, me refugiava e me escondia do resto do mundo. Agora, sei que essas lágrimas não foram derramadas em vão, elas levaram um pouco da minha tristeza e, de uma maneira ou de outra, me fizeram compreender que é pequeno o percurso que separa o berço do sepulcro. A vida é pequena demais para trancar a felicidade dentro de nós a sete chaves, é necessário libertá-la.
Comecei a rabiscar tudo o que me vinha à cabeça. No meio do emaranhamento dos meus pensamentos, dei por mim a colocar cada letra… cada palavra… no seu devido lugar. No final obtive frases com sentido. Um sentido muito próprio, muito especial, único.
Deixei o coração falar por mim. Por momentos esqueci-me de quem era, onde estava, somente o meu coração falava e a minha mão escrevia. Eu não controlava os meus gestos, simplesmente era controlada pelos meus sentimentos. Sentia-me livre, feliz. Em cada palavra que escrevia ficava um pedaço, uma marca minha, que me fazia renascer, nascer de novo para uma nova vida que só na nossa imaginação ganha contornos e se transforma em realidade.
Sentia-me deslocar da cadeira e voar. A minha imaginação não tinha limites. Em cada frase que escrevia eu sentia que ganhava asas e voava. Voava para lá do infinito, da linha do horizonte.
Aquele papel que dantes fora níveo encontrava-se agora manchado por tinta azul, acarretando uma mensagem e pedacinhos de mim. Sentia-me leve, tinha a sensação de que flutuava e até a brisa mais suave me transportava em direcção às estrelas. Fui invadida por uma tremenda alegria e, nesse momento, senti que atrás de mim a porta da tristeza se trancava e à minha frente a janela da felicidade se abria, eu só tinha de passar por ela e deixar-me envolver no azul límpido do céu.
Em cima da mesa, a minha folha de papel começou a ganhar asas e a metamorfosear-se num pequeno avião que eu cuidadosamente coloquei a voar, deixando-o ao sabor do vento, da mais suave brisa.
O meu pequeno avião levava uma das mais belas mensagens, mas o que importa estarem no papel se não forem colocadas em prática? Que importância têm as palavras se as acções não correspondem ao que foi proferido?
Saí do quarto a correr com uma nova filosofia de vida e decidi, a partir daquele momento, transformar cada lágrima num sorriso, voar, mesmo não possuindo asas…
Retalhos de uma Vida


Olhando a Lua, majestosa e poderosa no céu enfeitado de estrelas, ela deu por si a recortar pequenos retalhos de recordações do grande livro da sua memória e a colá-los em cada estrela.
Uma recordação aqui… Outra ali… E outra… Ainda outra… Tantas eram, e tanto significavam para ela, que as estrelas, mais cintilantes do que nunca, faltaram para os pedaços das memórias que compõe a sua vida.
Olhando para todo o seu passado, ela encontrava-se feliz por tudo aquilo que passara. Uma vida juncada de abismos, de pedras, de obstáculos resumia-se agora em sucesso. Naqueles momentos mais difíceis em que o caminho se encontrava apinhado de buracos, de espinhos, ela nunca desistira e, em qualquer situação, ela tivera intrepidez para erguer a cabeça e seguir em frente.
Naquele tempo todos cogitavam que ela era louca. Ela simplesmente recusava as facilidades, dizia “Não!” quando lhe diziam para seguir aquele caminho, pois muita gente por ele tinha seguido. Ela queria ir mais longe, não somente até onde os outros tinham ido.
Tinha uma meta estipulada para si própria e recusava-se a todo o custo que lhe dessem a mão. Queria descobrir tudo com trabalho. Num mundo com tanto para descobrir devia existir algo que realmente ela conquistasse e chamasse verdadeiramente seu. Amava aquilo que toda a gente diligencia escapar.
Por vezes sentia-se sozinha, mas sempre se recusava a seguir as vozes que lhe sussurravam ao ouvido para seguir aquele rumo. O trabalho, para ela, era o alicerce para a edificação dos seus sonhos, para ultrapassar cada obstáculo.
Agora ela encontra-se feliz, pois para além de conseguir chegar ao pódio, tem a sensação de que ele é realmente seu, de mais ninguém. Tinha sido conquistado pelo seu suor, empenho e garra.
Por mais que o tempo passasse ela jamais se arrependera do caminho rugoso que ultrapassara. O troféu que ela ganhara, embora singelo, tinha um sabor especial, único, dado que o caminho que ela percorrera para o ter transformou esse troféu em algo colossal.
Cada vez que ela olhava para o céu tinha a sensação de penetrar no vácuo. Tinha o pressentimento de que ainda existia muita coisa para fazer. Cada segundo que passava mais repugnância tinha da ociosidade e mais asquerosas achava as pessoas que posavam para revistas, fingindo-se importantes, tal como imponentes estátuas em cima do seu pedestal, mas de cabeça oca, vazia.
O Tudo que é Nada...


Edificado pelas mãos dos Deuses, maltratado pelas mãos dos Homens, actualmente o Peso da Régua encontra-se, só e simplesmente ignorado, esquecido.
Sem Hospitais, sem escolas, sem espaços culturais, tais como teatros, cinemas, a cidade do Peso da Régua encontra-se com um pé atrás em relação ao seu potencial.
Uma cidade que foi um tudo para o desenvolvimento de Portugal, cidade que é tudo para os seus habitantes e população das freguesias que a circundam, transforma-se num nada para os mais jovens e para os turistas, um nada para o resto de Portugal e do próprio Mundo. Esta cidade, que apresenta o Rio Douro como ponto fulcral de atracção turística, não apresenta rigorosamente mais nada de atractivo no intuito de cativar os turistas a passearem e de certa maneira contribuírem para o avanço económico da cidade.
Peso da Régua, uma cidade repleta de histórias e tradições, construída com suor e garra, abençoada por Baco, devido ao magnífico vinho que das encostas íngremes e idílicas do Douro sai, encontra-se resumida ao passado, presa ao barco rebelo, não acompanhando o resto de Portugal no fornecimento de espaços culturais e não incentivando os mais jovens a ficarem e fixarem-se nesta cidade.
Os jovens são esquecidos, não encontram, nesta cidade, nada que os incentive a passarem quer um fim-de-semana, quer as férias. No meu ponto de vista, se não fossem as raízes que os prendem a esta cidade, muitos já tinham partido. Não é em vão que os estudantes, ao finalizarem o 12.º ano, partem para outra cidade e só voltam para rever a família, pois também os amigos já partiram em busca de melhores condições, à procura de uma cidade que esteja minimamente a par do resto dos países desenvolvidos.
Por mais que me esforce não me consigo lembrar da última vez que ouvi um elogio referente a esta cidade. Sinceramente, a Régua só aparece nos jornais ou mesmo na televisão pelos piores motivos: cheias, encerramento das urgências, assaltos … o que ajuda a denegrir o nome da cidade e afastar os turistas. Isto tem de acabar! Daqui por alguns anos, esta cidade corre o risco de se transformar numa vila, habitada por idosos (se esses não forem levados pelos seus filhos para outra cidade).
Olhando para a paisagem que circunda a cidade ou mesmo vendo a cidade de longe, pode-se constatar que é linda, magnífica. Contudo ao penetrar-se na cidade, o entusiasmo inicial desvanece, dado que ela se resume a montras e edifícios que transmitem a história da cidade a “cair aos bocados” e um pouco “às moscas”, uma vez que não são aproveitados ao seu máximo para cativar a população. A própria estação de comboios que transporta um vai e vem de emoções é pobre, esteticamente pouco atractiva e acolhedora; a Alameda dos Capitães só apresenta uma paisagem bonita se olharmos de frente, pois se olharmos para baixo deparamo-nos com ruínas, que mostram um pouco da generalidade da cidade.
A Régua, já que se situa no Norte, também está a sofrer devido à pouca importância que o Governo atribui cá para cima, mas cabe a nós, quer reguenses quer nortenhos, modificar essa tendência e fazermo-nos ouvir, mostrar que, acima de tudo, somos Portugueses.
Se o futuro é dos jovens, compete a estes arregaçarem as mangas e tentar mostrar que chega de retóricas e discursos floridos mas vazios e, finalmente, passar à acção, mudar a tendência que reverte para um Norte cada vez mais pobre, deserto e envelhecido.
Tudo é possível, nada é impossível, basta acreditar e todos juntos renovaremos uma cidade que passará a ser tudo para todos.

domingo, 27 de abril de 2008

Amor é...


Amor palavra pequenina mas com um significado imenso. O Amor não tem definição, não é aquilo que se lê nos romances, que se ouve nas músicas, que se vê nas telenovelas. O Amor sente-se.
Definir Amor é como explicar o Azul do Céu a um cego, não se consegue, não se define. Existem coisas neste Mundo que só sentido, só se passando por elas, só experimentando é que se sabe como são, o Amor é uma delas.
Para além de ser o sentimento mais lindo que pode existir, o Amor traz sofrimento, mas também alegria. Traz saudade, solidão, felicidade, dor, mágoa. Amar é ir onde nada termina, ultrapassar obstáculos, barreiras, abrir caminhos entre os espinhos da dor, perder-se e no fim encontrar-se, sofrer mas no fundo sentir que existe uma razão para viver, para acordar todas as manhãs e pensar que se tem o Mundo na palma da mão.
Amor… Amor sentimento que faz mover o Mundo. Inspiração para tantos contos, filmes, livros, … Amor… sentimento que provoca noites em branco, lágrimas que queimam a face, olhares perdidos, frases inacabadas.
Desde os tempos remotos que o Amor marcava presença assídua, é devido a ele que hoje existe a humanidade, existe esperança, não existem limites para a felicidade. É por ele que se estende a mão, que se abre o coração, que se vagueia pelo Mundo da imaginação, da ilusão, da dor. Que se anda errante pelo tempo, pelo espaço, que se pinta o céu de felicidade, que se constrói um Mundo Perfeito, que se idealizam Príncipes encantados, reinos fantásticos, uma vida perfeita.
Já os Deuses do Olimpo possuíam este sentimento. Os Deuses são interpretados, não como figuras históricas, mas sim como modelos vivos dos humanos, mostrando as suas paixões, os seus desejos mais íntimos, os seus medos, as suas vontades, sem medo de chorar, de mostrar o seu coração, sendo Afrodite a Deusa do Amor e do prazer sensual.
“Só nele, no Amor, acredita quem é louco”. O Mundo está cheio de loucos, eu fico feliz por me poder considerar mais uma louca neste Mundo. Amar… Não ter medo de sofrer por Amor pois pior é sofrer sem nunca saber o que é Amar. Cobardes não são aqueles que choram por Amor, mas sim aqueles que não amam com medo de chorar.
Todos os seres vivos têm capacidade para Amar, cada um há sua maneira, mas todos Amam e nada melhor que retribuir esse Amor, perder algum tempo da nossa vida a dar um pouco de Amor àqueles que pensam que têm tudo, que sabem tudo, mas desconhecem o mais belo sentimento do Mundo. Melhor ainda Amar e ser amado.
O Amor é uma dádiva, uma bênção, não é uma divida, um compromisso, uma prisão, uma doença, um deserto. Amor… Uma forma de encontrar a felicidade, algo para sorrir, uma maneira para ganhar asas e voar, a luz ao fundo do túnel, outros olhos para ver o Mundo. Sentimento que torna um momento inesquecível, uma vida eterna, um coração iluminado.
Amor… Amor… Para que servem as reticências se o Amor pode ser o princípio e o fim de tudo?
Amor é.

Amizade


É tão bom ter amigos,
Ter alguém para desabafar.
Com eles correr perigos.
E no fim se encontrar.

A amizade não se compra,
Não se empresta, não se rouba,
A amizade, verdadeira, se encontra
E nunca mais ninguém a derruba.


Os amigos que existem no coração,
Nunca mais sairão,
E aí sempre existirão.

Se não existisse amizade,
Não existiria felicidade,
Nem sequer humanidade.

Amar


Se Amar é sonhar,
Não me acordem.
Se Amar é gritar,
Não me calem.

Se Amar é voar,
Larguem-me, vou partir.
Se Amar é chorar,
Não me quero rir.

Se Amar é entrar num jogo,
Pois bem, pode começar.
Se Amar traz fogo,
A fogueira pode avançar.

Se Amar é estar preso,
Não quero mais liberdade.
Se Amar é um erro,
Não quero saber a verdade.

Se Amar traz solidão,
Pode chegar ao meu coração.
Se Amar traz alegria,
Quero que comece um novo dia.

Se Amar é querer fugir,
Não quero estar amarrada.
Se Amar é partir,
Não vou estar parada.

Se Amar traz luz,
Não quero ver sombras.
Se Amar é uma cruz,
Porque me assombras.

Se Amar é renascer,
Vou nascer agora.
Se Amar é morrer,
Adeus, vou já embora…




A Corrupção em Portugal...


Actualmente, a corrupção está presente em todo o lado: no desporto, na politica, no comércio, na Igreja…
A corrupção é a forma mais usada de extorquir dinheiro, na maioria das vezes fugindo à justiça. “O mais forte é que vence”, mas no mundo actual a força resume-se a dinheiro. Quem tem mais dinheiro vence, tem poder sobre o mais fraco, ou seja, sobre o mais pobre, por isso cada vez mais estamos a assistir a uma desigualdade económica muito elevada, quer dentro do mesmo país, quer entre países diferentes, como é o caso dos Estados Unidos em relação à Angola. A sociedade actual chegou a um ponto onde ninguém gosta de se sentir inferiorizado, por isso têm que vencer, ter mais força, subir na vida a qualquer custo e a corrupção está no cimo da lista de medidas a tomar.
“O Homem é por Natureza bom, a sociedade é que o corrompe”. O Homem nasce despido dos hábitos da sociedade que a o rodeia, não tem conhecimento do que o espera num mundo cada vez mais corrupto, vem sem intenção de prejudicar o próximo, contudo à medida que vai crescendo deixa-se influenciar pela sociedade, tentando sempre imitar os mais fortes, querer ser superior a tudo e a todos, não pensando nas consequências que isso provoca.
Não é por acaso, que aqui mesmo no nosso país, se vêem os mais fortes mandando nos mais fracos. Os políticos, um bom exemplo, enquanto não chegam ao poder prometem tudo, fazer isto, fazer aquilo, mas quando chegam ao poder não fazem nada. Porquê? Dizem que não há dinheiro, mas será bem assim? Claro que há dinheiro, mas este não chega para evoluir o país e para sustentar os caprichos dos políticos. Estes têm que mostrar a sua força através de carros topo de gama, motorista privado, guarda-costas particular…, no intuito de mostrar o seu poder, sentirem-se superiores para com isso inferiorizarem o resto do país.
Contudo tudo tem um limite, e não estará na hora de pôr um ponto final nesta corrupção? Mas o que fazer, se o dinheiro compra a justiça e mesmo o silêncio a quem tem tanto para dizer.

Diz-me...


Diz-me o que é a vida,
Diz-me o que é viver.
Diz-me o que é a morte,
Diz-me o que é morrer.

Diz-me o que é o amor,
Diz-me o que é amar.
Diz-me o que é a dor.
Diz-me o que é sonhar.

Diz-me o que é a saudade,
Diz-me o que é a alegria.
Diz-me o que é a vaidade,
Diz-me o que é a agonia.

Diz-me porque choro,
Diz-me o que é chorar.
Diz-me porque não te ignoro,
Diz-me o que é ignorar.

Diz-me o que é a paixão,
Diz-me o que é a solidão,
Diz-me porque existes,
Dentro do meu coração.

Diz-me o que é sentir,
Diz-me o que é um sentimento,
Diz-me o que é sofrer,
Diz-me o que é o sofrimento.

Diz-me, por favor, por que existes,
Diz-me por que nascestes.
Para me perseguires?
Para me derrubares?

Diz-me quem errou,
Diz-me porque errei,
Diz-me porque amei,
Diz-me quem eu sou.

Corro. Simplesmente corro...


Corro. Simplesmente corro. Corro sem fim à vista, sem rumo, sempre errante. Corro atrás do vento, de uma estrela, de um olhar, de um sonho, …, não interessa, corro…
O Mundo é feito de corridas: correr atrás do tempo perdido, correr atrás de um amor esquecido, correr, … Fecho os olhos e vejo que tudo passa correndo por mim: o vento, a água do rio, alguém que se perdeu no tempo e agora corre tentando agarrar o impossível…
Posso sentir a brisa tocar no meu rosto, uma brisa suave que me sussurra que mais alguém corre errante pelo tempo. Esqueço-me deste Mundo e posso ver todo o Universo, tocar nas estrela, no tempo, sentir lá longe as pessoas a correr através de ruas e ruelas. Sou capaz de viajar pela imensidão do Universo muito calmamente, enquanto tudo corre, mas naquele momento aprecio as coisas simples da vida: pequenos gestos, frases inacabadas que se calaram para sempre, olhares perdidos, amores sofridos…eu sei que, quando voltar a abrir os olhos, tudo voltará e também eu andarei a correr de um lugar para outro… mas agora tudo é perfeito. Tudo é Meu! Tenho a capacidade de ter o Mundo na minha mão, andar sobre as nuvens, apanhar estrelas como quem apanha um ramo de flores. Até que tudo acaba: eu abro os olhos… Ainda hipnotizada, regresso a mim lentamente. Começa a perceber que tudo passa a correr. Corro também sem nenhum trilho traçado, sem caminho aberto por entre a multidão que corre sem reparar como é perfeito o Mundo. Corro…não sei para onde, nem o porquê, mas corro em busca do infinito, de algo que me pare para sempre.

Corro. Simplesmente corro…

Contigo...


Olhando para o horizonte, apetece-me fugir. Ir ao teu encontro. Esquecer-me do nosso mísero adeus. Ir em busca do infinito contigo ao meu lado. Contigo, percorria caminhos nunca dantes trilhados, nadava por mares nunca antes navegados, inventava novas palavras, novas frases, novos sentimentos, pois a palavra Amor era pouco para definir o que sentia por ti.
Antes de te encontrar andava perdida nas asas do vento. Não sabia o que era sorrir com o coração, andava a vaguear por este mundo, sem saber para onde ir. Depois encontrei-te, meu mundo ganhou outra cor. Aprendi a ver a beleza nas coisas mais simples da vida. Espalhei alegria por todos os lados, o céu passou a ser o meu limite. Até que tudo aconteceu, e aquele “Adeus…” veio destruir para sempre a minha felicidade. Porquê?
Contigo aprendi a dar valor a cada momento da minha vida, a perder o tempo a olhar o vazio. Contigo a minha alma viajava num mundo perfeito. Imaginei um Reino Encantado só para nós, rodeados de felicidade, de amor, de magia. Tudo era perfeito, mágico, lindo, … A palavra vida tinha outro sentido, outro sabor, outra essência. Contigo viajei até ao Olimpo, toquei no Sol, nas estrelas, contigo eu era capaz de tudo, ganhei asas e voei, ganhei molas e pulei, ganhei forças e lutei, ganhei-te e amei … Mas, agora tudo não passam de recordações. Aquela despedida, aquele olhar baixo, aquele sorriso forçado, aquela lágrima, foram o fim.
Ainda tento descobrir porque partiste. Porque viajaste para a outra margem do rio e destruíste a ponte que nos unia. Quebraste os laços que nos prendiam. Desataste o nó do nosso Amor, aquele amor que ambos dizíamos que era eterno. Agora só me resta a saudade e a vontade de voltar a ir contigo até ao infinito.
Obrigada! Agradeço-te por aqueles momentos inesquecíveis, por aquelas coisas inexplicáveis, por tudo o que passamos. Eu sei que por mais longe que possamos estar, sempre nos reunimos num lugar secreto denominado pensamento.

Anjo da Guarda


Sim, eu estava lá. Sim, participei naquele reino encantado. Ajudei construir a ponte para unir os nossos Mundos. Pintei o céu de felicidade. Esqueci o significado da palavra sofrimento. Construí o castelo dos sonhos, das fantasias, das ilusões, …
Mas tudo desmoronou. Tudo se perdeu no tempo, no espaço, nas brumas da memória… Tudo evaporou para sempre. Agora perco-me a viajar no infinito, na imensidão do universo. As palavras perderam o sentido… o meu olhar perdeu o rumo…o horizonte ficou confuso, deixou de ser aquela linha, tornou-se numa mancha baça.
Por quanto tempo? Como eu queria trazer o passado para o presente. Ter-te novamente aqui, comigo. O futuro é tão incerto, não sei por quanto mais tempo chorarei por ti. Só me restam as recordações. Sem ti o meu Mundo chegou ao fim, o Céu deixou de ser o limite, deixou de ter aquele azul lindo, passou a ser nublado, cinzento, triste, …
O tempo vai passando… as recordações permanecem a cada segundo, a cada momento que passa. Um segundo parece uma eternidade. A vida perdeu o sentido. O Mundo perdeu a cor. O vento ainda traz o teu aroma. A chuva acarreta as nossas gargalhadas… Tudo se perdeu…
A saudade acompanhar-me-á para sempre, nunca me abandonará. Ainda habitas no meu pensamento. Sinto a tua falta, sinto que vou naufragar a cada momento da minha vida. No meu coração existe solidão, um vazio, …Sem ti, perdi a razão de viver, ando à deriva, não encontro razão para sorrir, para me sentir de novo feliz. Deixei o meu barco naufragar nas marés de tristeza, o Gigante Adamastor da vida derrubou os meus sonhos, as minhas ilusões… Os astronautas deixam as suas pegadas na Lua, tu deixaste as tuas pegadas no meu coração e nem a tempestade mais forte te vai arrancar de lá.
Mentias-me quando me dizias que a dor de te perder ia passar. Partis-te para sempre, para quem cá ficou dói demais a tua ausência. Só mesmo a morte, palavra tão fria, dura, escura e sem alma nos podia separar, Meu Anjo da Guarda.

ELA...


Ao longo dos anos Ela foi maltratada, humilhada, esquecida, simplesmente ignorada. Agora foi a sua vez de emitir um pedido de socorro, um aviso de alerta para nos lembrarmos que Ela existe e está saturada, não consegue mais aturar a falta de civismo.
Ela dá-nos tudo o que necessitamos para a nossa sobrevivência. Ela é o nosso refúgio, Ela é a nossa casa, o nosso lar. Al Gore, devido ao seu documentário premiado “Uma Verdade Inconveniente”, evidencia aquilo que a que todos fecham os olhos, aquilo que todos sabem que está a acontecer mas ninguém quer fazer nada por Ela.
Pensar que já é tarde demais é pensar erradamente. Pensar que o problema não nos diz respeito, que cabe aos detentores do poder fazer alguma coisa para minimizar esta situação, esperar que os outros arregacem as mangas é ainda pior que deitar mais um papel para o chão, é mostrar uma falta de civismo, mas também de ética.
A questão não é política, é uma questão global, já que toda a humanidade acarreta com as consequências, com o SOS que Ela envia para todos nós. O aquecimento Global, o degelo, as tempestades destruidoras, a desertificação, que conduzirá à extinção de muitos seres vivos (como o urso polar, as focas, …), ao aumento do nível médio dos oceanos – onde Portugal vai ser muito afectado, uma vez que o oceano inundará a nossa tão bonita costa – o aumento e aparecimento de doenças respiratórias mas também dermatológicas são alguns exemplos das consequências que estamos a assistir.
Não somos só responsáveis por aquilo que fazemos, somos também responsáveis por aquilo que não fazemos.
Se pensa que o problema não lhe diz respeito, pense duas vezes, ou gosta de chegar a casa e vê-la toda desarrumada, toda suja, imunda? Já que não pensa em si, pense pelo menos nos seus netos, nas crianças e adolescentes, nas gerações vindouras que vão sofrer ainda mais com os actos e atitude de hoje. Se toda a gente contribuir o problema pode ser minimizado, basta darmos as mãos e todos juntos todos os dias nos juntarmos e dar um pouco de nós.
Onde coloca aquele jornal, aquela revista que já leu tantas vezes e agora está “fora de prazo”? Aquela garrafa de água vazia que parece já não ter nenhuma utilidade? Uma festa, ao fim onde coloca as garrafas de champanhe, as latas de refrigerante? No lixo doméstico? Não. Existem ecopontos espalhados por todo o lado que servem para transformar o seu lixo aparentemente inútil em materiais úteis que você já utilizou sem saber. Pode ser mais uma garrafa, mais um papel, mas se toda a gente contribuir já serão milhões e Ela agradece.
Está preocupado com a linha? Queixa-se do preço dos combustíveis? O seu emprego é na próxima rua? Porque não vai a pé ou de bicicleta? O seu corpo, a sua carteira e principalmente Ela agradecem.
A conta da electricidade está demasiado elevada? Troque as suas lâmpadas normais por umas de menos consumo, não deixe a sua televisão, computador ligados, desligue mesmo da corrente. Encha por completo a sua máquina de lavar roupa assim poupa água e electricidade.
Sendo Portugal um dos países que recebe maior quantidade de radiação solar, cerca de 2.200 a 3.000 horas anuais, porque é que a nossa energia está tão dependente dos combustíveis fosseis que tanto poluem? Portugal, geograficamente, está numa posição de honra, uma vez que está banhado pelo Oceano Atlântico por um lado e por outro pelo Mar Mediterrâneo e ainda apresenta inúmeras serras por que não aproveitar os recursos que Ela nos dá e utilizar mais energia renovável como o vento e a água?
Ela está doente e com Ela toda a fauna e flora, onde o Homem se inclui. O Homem evoluiu, desenvolveu tecnologias que actualmente nos são tão úteis, mas não podemos afirmar que a nossa evolução foi sempre tão benéfica. Mas que evolução? Uma evolução a pensar só em nós próprios, em melhorarmos a nossa qualidade de vida sem olharmos para Ela, sem nos preocuparmos que Nela está presente tudo quilo que necessitamos.
Não estará na hora de olharmos para Ela com outros olhos? De a ajudarmos a respirar melhor? Afinal de contas o que fazemos com Ela estamos a fazê-lo a nós próprios. Cuidar Dela é cuidar de nós. Ela é tudo o que temos, e ao mesmo tempo não nos pertence.
Ela é a Nossa Terra.
Um Homem não se mede pela sua altura, mas sim pelos seus gestos e atitudes.







Era uma vez...


Era uma vez uma longa jornada. Sentia-me exausta. Olhava no horizonte e via sempre a mesma coisa: água… Até que lá longe avisto uma ilha perdida no meio do nada.
Invadi aquela ilha… Com receio… Com medo do que podia encontrar… Ando em frente… Olho com atenção… Não queria acreditar no que os meus olhos me mostravam… Olho com mais atenção e deparo com imagens fascinantes: homens e mulheres caminhavam lado a lado, todas as raças partilhavam as suas culturas, as crianças brincavam livremente, todos respeitavam e eram respeitados.
Era um reino encantado, onde não existia Rei nem Rainha; escravo nem servo. Tudo era perfeito. Não existiam bombas, chicotes, prisões, grilhetas, canhões, armas… Não existia o cheiro a sangue, a suor, a morte… Não se ouviam gemidos, choros, gritos… Não se viam lágrimas a serem derramadas, mãos levantadas, cabeças baixadas, mulheres magoadas… Não se via medo nem sofrimento.
O aroma que pairava no ar era doce e perfumado. Ouviam-se conversas e trocas de opiniões. Escutavam-se risadas alegres das crianças que brincavam distraidamente… Viam-se mulheres de cabeça erguida, sem terem o rosto tapado, sem nódoas negras pelo corpo, sem medo de Amar… Viam-se brancos, negros, amarelos a conviver livremente, idosos a partilharem as suas histórias…
Ando em frente, fascinada com o que via. Não existia fome nem guerra, discussões nem mortes, ódio nem raiva, simplesmente existia Amor e Felicidade. As pessoas, mesmo falando línguas diferentes, comunicavam sem rancor.
De repente vejo uma criança à minha frente. Os seus olhos estavam brilhantes e confusos, a cor da sua pele era escura, nos pés tinha uns lindos sapatos. Estendeu-me a mão. Acompanhei-a um banco de jardim, e lá mostrou-me um livro. Um livro arrepiante. Um livro que falava de um mundo que me era familiar. Falava de mortes, de guerras, de racismo, de mulheres magoadas que tinham que andar de cabeça tapada, de crianças com fome, descalças, com medo de sair para a rua, treinadas para matar. Falava de um mundo onde as diferenças de cultura, de opinião, de raça, de cor, eram motivos para matar. Falava de animais a sofrer, animais treinados para matar, outros destinados a morrer porque o seu habitat está a ser destruído. Falava de homens que queriam mandar, cheios de ideias, de sonhos, discursos floridos mas ocos, vazios, parados. Falava de um mundo desequilibrado: de um lado abundância e do outro falta de tudo, menos de sofrimento.
Horrorizada fechei o livro. Olhei para o lado… e depois para o outro, estava sozinha. Já não via homens nem mulheres, crianças nem idosos. Estava completamente só. Pombas brancas começam a voar… Sinto-me cansada e confusa.
“Trim… Trim…” Ouço o despertador. Acordo. A viagem tinha acabado. Estava a chorar, com medo de enfrentar aquele mundo, sem sentido. Aquele mundo que o livro me mostrou. Queria voltar a adormecer e regressar aquele Reino. Mas era impossível.
Da janela do meu quarto vejo pombas brancas. Guardo o Reino Encantado na minha memória. Levanto-me com a certeza que todos podemos ajudar a construir um muro que separe o sofrimento da felicidade e assim poderemos viver felizes para sempre…
O Mundo Desabou...


Ele. Ele era estudante universitário, com 20 anos tinha uma carreira de arquitecto pela frente. Estava no segundo ano e, naquela manhã, por ironia do destino, estava em frente do prédio onde morava a tempo para os seus companheiros o levarem, apanhar boleia como tantos outros dias, até que a viu.
Ela. Ela não fazia o seu estilo. Era demasiado magra, alta, cabelos pretos e compridos, estava toda vestida de branco. Estava pálida, com enormes olheiras cravadas na face denunciando muitas horas sem dormir. Deambulava pela rua com olhos suplicantes, pedindo ajuda, um ombro para chorar.
Os seus colegas chegaram, ele partiu. Passou todo o dia a perguntar se alguém a conhecia, se alguém a tinha visto, mas nada. Todo o dia ele pensou nela, naqueles olhos negros, naquele olhar perdido, mas com um objectivo bem definido. Ao regressar a casa ele não a viu. Pensou que ela estaria ali por acaso, estaria perdida mas que naquele momento já encontrara o seu caminho.
Ás vinte e uma hora em ponto lá estava ele com os seus amigos para mais uma noite de diversão, naquela semana que os estudantes mais gostam, a Semana Académica. Ao entrar no bar, onde todos os dias ele marcava presença assídua, lá estava ela. Estava sentada numa mesa sozinha, ao fundo, no canto esquerdo do primeiro andar. Os seus olhos cravaram-se nele e uma pequena lágrima rolou-lhe pela face. Ele afastou-se dos colegas e caminhou em direcção a ela. A voz dela era rouca e pouco nítida. Curioso perguntou-lhe quem era, o que estava ali a fazer, de onde era, … As respostas dela eram vagas e em algumas perguntas a resposta era inexistente. Ela era misteriosa, fechada, vaga, … Estava ali porque andava a correr Mundo, tinha sido furtada não tinha dinheiro, roupa, comida, leito para dormir. Os pais estavam noutro continente, nada mais. E o silêncio reinou naquela mesa.
Ele com pena naquela noite ajudou-a. Pagou-lhe um jantar, levou-a para sua casa. Antes de ir para a universidade preparou-lhe o pequeno-almoço e deixou-lhe dinheiro para ela comprar roupa e as coisas que precisava. Todo o dia ele pensou nela. O seu comportamento tinha mudado. Deixara de ser divertido, como toda a gente o conhecia e passou a estar calado, pensativo. Quando acabaram as aulas regressou a casa rapidamente, estava ansioso por a voltar a ver. Ao chegar deparou-se com uma pessoa aterradora. Ela vestida roupas muito largas e pretas que realçavam o quanto era magra, os seus olhos pintados de negro tentando disfarçar as olheiras ainda profundas, o seu rosto estava pesado, carregado. Ele assustou-se.
O telefone toca. Os amigos dele preocupados queriam jantar com ele. Ela acompanhou-o. Saíram, divertiram-se, beberam. Ela não o largava. Ao regressarem a casa ela sussurra-lhe ao ouvido que estava prestes a partir mas antes havia algo que ela queria e tinha que fazer.
Passa uma semana. Ela permanece em casa dele, torna-se cada vez mais aterradora, distante. Ele sem querer apaixona-se por ela, pelo seu mistério, pelo seu olhar perdido, … Ele muda de personalidade, só quer estar com ela, esquece os conselhos dos amigos, falta ás aulas, agora mais que nunca deseja esquecer o resto do Mundo. Aquela vida pacata, simples com uma mulher e filhos torna-se para ele um sonho distante. Deseja aquela mulher, mesmo não sabendo nada dela.
Leva-a a jantar, depois vão ao cinema, a um bar qualquer que esteja aberto, passeiam, … a conta dele fica a zeros. Ficam sem dinheiro. Ela afirma que chegou a hora. Ele suplica-lhe para ficar. Ela diz que ele se vai arrepender de a conhecer.
Naquela noite de sexta-feira 13 ela sai de casa. Ele chora amargamente pela sua partida, contudo ás três da madrugada ela entra em casa com garrafas de vinho. Bebem. Ele fica completamente bêbedo, ela lúcida. Pela primeira vez fazem amor… Por volta das dez horas da manhã ele acorda sozinho no quarto com uma terrível dor de cabeça, e qual não é o seu espanto ao ver a casa com enormes panos pretos. Não existiam sinais dela, simplesmente um bilhete… Um bilhete aterrador… Ele não queria acreditar no que lia. Esfregou os olhos, voltou a ler mas ainda não acreditava. Tomou banho na esperança de aquilo ser um terrível, um horripilante pesadelo… Ao voltar torna a ler e nesse momento toma consciência daquilo que ela lhe tinha dito.
A alegria dele desvaneceu. O seu Mundo desabou. Sua vida mudou. Tinha que acontecer a ele, foi então que percebeu que o mal só não acontece aos outros. Passados dois anos, ele ainda não tem coragem para olhar para os colegas com um sorriso na face. Lê e relê, de seguida volta a ler aquele bilhete com uma aparência magnífica mas uma mensagem devastadora tentando perceber a veracidade daquela mensagem.



"Bem-vindo ao Mundo da SIDA!"

"Obrigada por todo o apoio. Apaixonei-me por ti, desde o momento que te vi abrir a porta do prédio. Sim, foi amor à primeira vista. Não queria que entrasses como eu neste Mundo, tentei em vão que te afastasses de mim naquele bar, menti, desculpa., Meu pai é bancário, minha mãe é professoar, fugi de casa. Queria uma vida diferente para mim. Tenho 19 anos, entrei para medicina, mas não consigo enfrentar o Mundo. Em pleno séc. XXI ainda existe discriminação, intolerância. Só queria que me compreendessem. Foste o primeiro e o último, mais ninguém por minha causa vai entrar neste inferno. Tomei consciência que não tenho o direito de culpar toda a gente daquilo em que eu me meti. Por favor eu te imploro, não te aproximes da droga, não sejas ignorante. Ouve o conselho dos amigos que choram contigo, não daqueles que contigo se riem esses mentem. Na hora da verdade deixam-te só, abandonada no meio do nada.
Com eternas saudades, milhões de beijos.
Joana"


Ele recusava-se aceitar aquela informação. Uma vida com tanta alegria, não lhe podia estar a acontecer aquilo. Ele sempre tão prudente, tão racional, tão consciente dos perigos e dos riscos. Ainda recorda o seu olhar, os seus longos cabelos negros, aquela lágrima. Mas, nada melhor que o apoio dos colegas para ele voltar a sorrir, mas nunca mais foi o velho João que toda a gente conhecia.

Um Sonho


Um sonho. É só um Sonho. Mas um Sonho muito importante que mostra que “Quando um Homem Sonha a obra nasce”.
Sonhar é tão bom… fugir deste Mundo, rasgar as páginas que constituem o livro da vida e voltar a escreve-las de maneira diferente: sem muralhas para a alegria, sem abismos para o amor, sem sombras para a amizade, …
Construir um Mundo novo, onde exista paz, justiça, igualdade, paixão, … sem escuridão, sem amores perdidos, sem lágrimas a queimar a face de quem tem o coração partido…
Realizar um sonho. Ouvir o coração. Construir os alicerces para chegar onde tudo é perfeito. Abrir as cortinas da janela da vida e sorrir. A vida é feita de avanços e recuos. Todos nós devemos aproveitar quando avança para realizar os sonhos, não deixar que escapem por entre os nossos dedos como a fina areia do deserto; aprender com os recuos a não desistir dos sonhos, não deixar que fujam só por terem medo de os realizar, sem pensar que as consequências são bem pior e dolorosas.
O Mundo permite-nos realizar todos os nossos sonhos, basta estar atentos aos pequenos sinais que nos oferece: pequenos gestos; pequenas palavras; pequenos olhares; … que podem parecer insignificantes mas fazem toda a diferença e ajudam a abrir a porta para a felicidade.
Nunca ninguém sofreu ao realizar um sonho. Sonhar permite que todos nós tenhamos o que a realidade teima em nos tirar, devemos lutar contra ela e mudar o presente, tendo em conta as experiências do passado para no futuro não cometer os mesmos erros. Não baixar os braços, não deixar que uma brisa suave leve para bem longe do nosso alcance um sonho, sem que nós o tivéssemos realizado.
Todos neste mundo anseiam por algo, procuram entre as brumas de ilusão, entre o mar da imaginação o sentido da existência.
Um sonho. Uma aventura. Uma porta aberta para alcançar o verdadeiro sentido da existência, da busca de algo que complete o puzzle de cada vida, o bocadinho de coração que só pode ser completo com a realização de um sonho…

Procuro-te


Procuro-te entre ruas e ruelas… Procuro-te entre montanhas e vales… Procuro-te, pois sei que estás por aí. Consigo sentir a tua presença, sinto que estás algures bem perto de mim, mas não te consigo encontrar. Por mais que tente és-me distante, não te consigo tocar… Sinto a tua presença, mas em vão, continuas escondido, por onde ainda não sei, mas talvez um dia te encontre.
Procuro-te entre a escuridão e a luz do dia… Procuro-te entre as cores do arco-íris e as nuvens… Procuro-te… Gostava de saber onde te encontras, porque estás tão longe e ao mesmo tempo tão perto. Sinto o teu aroma, consigo ouvir o bater do teu coração, posso sentir o teu doce olhar… Mas não te consigo tocar… Continuas distante, indiferente ao meu sofrimento…
Procuro-te entre as gotas do oceano e a areia do deserto… Procuro-te entre as estrelas e os planetas… Procuro-te, pois tenho a esperança de um dia te encontrar. Não sei onde estás agora, talvez numa qualquer estrela, numa qualquer gota do oceano…em algum lugar que me é impossível alcançar…
Procuro-te entre as gotas da chuva e os raios de sol… Procuro-te entre multidões e praças vazias… Procuro-te… Continuas a vaguear errante pelo espaço, pelo tempo…em busca do impossível…
Procuro-te … Procuro-te mas não te consigo encontrar, o caminho está juncado de abismos, de buracos, de pedras, de armadilhas…que me impedem de ver a luz e o trilho que tu traçaste.
Procuro-te…


Saudade




Saudade…
Palavra simples e pequena,
Não traz felicidade,
És tu saudade.

Saudade…
Palavra tipicamente Portuguesa,
Tu implicas tristeza,
Saudade, da tua beleza.

Saudade…
Sentimento que me invade,
Sentimento que me persegue,
Sentimento que me segue.

Saudade…
Porque me incomodas?
Porque me prendes?
Porque não me ignoras?

Saudade…
Larga-me, deixa-me viver,
Deixa-me voar, Deixa-me saber
Qual o significado do verbo Morrer.

Saudade…
Tu, que me fazes chorar,
Que me fazes levantar,
E, ver um outro olhar…



Sentido de Amor

Naquela tarde, quando o sol ainda ia a pique ela estava sentada naquele café que tantas vezes durante todo o ano frequentava, contudo na altura das férias ficava insuportável por causa dos imigrantes. Ela estava feliz, as férias estavam a acabar e por conseguinte a sua pequena aldeia iria ficar calma e pacata como sempre.
Ela já ouvira falar dos novos habitantes que iriam morar mesmo ao lado do cemitério, mas nunca os tinha visto. Naquela tarde pode vê-los. Era uma família aparentemente normal: a mãe, o pai, um filho ainda ao colo e outro com mais dois anos que ela. Todos entraram no café, sentando-se ao lado da mesa dela e aí ela pode constatar que os rumores que rondavam aquela família eram verídicos. Pai, camionista; Mãe, professora primária; Filho mais novo, dois anos e meio; Filho mais velho, drogado, parecia um morto vivo, muito magro, com olheiras profundas cravadas no rosto. Os seus bracitos muito magros mostravam as marcas negras das picadelas.
As aulas recomeçaram. Ele foi para a turma dela. Estava em tratamento e nada como novos amigos e um novo lar para recomeçar do zero. Ninguém se aproximava dele, excepto ela. Depressa se deram bem, tornaram-se bons amigos, ele ainda preso à heroína, tentava evitar a sua picadela diária. Apaixonaram-se. Ela ajudou-o e rapidamente ele estava abandonar a droga com sucesso. Passaram a sair juntos, arranjavam as desculpas mais absurdas para estar um ao lado do outro.
A vida deles estava num mar de rosas, mas os espinhos surgiram. A família dela era contra o seu namoro. Afirmavam que um ex-drogado era incapaz de amar, de sentir qualquer tipo de sentimento, excepto vontade de se atirar novamente à heroína, arrastando consigo todas as pessoas que o rodeavam. Que o pouco dinheiro que possuísse voltaria a segurar aquela corda invisível que o iria arrastar para os recantos mais nauseabundos, asquerosos, nojentos em busca da picadela fatal.
Ela defendia-o com unhas e dentes. Amava-o. Sentia por ele algo tão forte que passava noites em brancos, dias a sonhar acordada. À medida que o tempo passava os pais dela temiam por ela. Pensavam que mais tarde ou mais cedo ela também iria ser arrastada para o mundo da droga, acabando na prostituição, levando consigo toda a sua família, as pessoas que mais gostavam dela, todos aqueles que a rodeavam, morrendo numa estação de comboio com uma seringa espetada no braço ou mesmo apodrecendo na cadeia. Foi proibida de o ver. De manter qualquer contacto com ele. A vida de ambos desmoronou. Ela queria fugir, ele recusou.
O pai dela passou a controlar todos os seus passos: ia leva-la e busca-la da escola, escutava as suas conversas ao telefone, controlava-lhe o correio, tirou-lhe o computador e o telemóvel. Ela nunca mais sorriu. Ele voltou a ter recaídas e passou a fumar, primeiramente só um cigarro mais tarde passou a ser dois maços por dia. Acaba assim o ano lectivo.
Novamente em férias ela foge de casa. Ao fugir é atropelada. Vai rapidamente para o hospital, passa horas a ser consultada. Passa a estar presa ás máquinas. O seu coração fora muito danificado e só um transplante em 24 horas a podia livrar da morte.
A família dela entrou em pânico, como arranjar um coração em apenas um dia?
Ninguém queria acreditar, o tempo foi passando. Nenhum coração surgia.

O transplante foi um sucesso. Ela acordou, e nas três semanas que esteve internada ele nunca a visitou. Teve alta e regressou a casa. Ela ia com uma fina esperança que ele estava à espera dela, mas nada.
Seu pai nunca mais falara nele.
Ela durante uma semana olhou pela janela tentando vê-lo aproximar-se de sua casa. Mas, no dia que completaria um ano que se viram no café ela recebe uma carta. Reconhece a letra, rasga o envelope e lê:

“Minha amada
Obrigado por todo o apoio. Obrigado por me ajudares a preencher os espaços em branco da minha vida, a renascer das cinzas, a dar sentido aos meus passos Não iria aguentar se fosses minha vizinha, sabendo que fugiste por minha culpa. Eu amava-te mais que tudo neste Mundo, se pudesse dar-te-ia uma vida muito melhor, dar-te-ia o céu, as estrelas.
Os castelos de areia que nós construímos nas mesas do café desmoronaram, as ondas levaram os nossos sonhos, os nossos desejos, as nossas ilusões, aquele Audi foi o Adamastor dos oceanos que eram as nossas vidas.
Decidi partir, mas meu coração fica contigo. Levo na minha memória o brilho do teu olhar, aqueles momentos passados em silêncio ao luar, as nossas promessas de Amor sob escuta de teu pai. Lembra-te que existem coisas na vida que não voltam: a pedra, depois de atirada; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; o tempo depois de passado, por isso vive cada momento como se fosse o último.
O nosso Amor será eterno, mas para quê tantas palavras se os gestos calam todas as bocas.
Meu coração sempre será teu,
Beijos suaves como a mais bela brisa,
Amo-te eternamente”


Ela chorou amargamente, e nesse instante percebeu o verdadeiro Amor, o sentido de dizer “Amo-te”. Correu para o seu novo lar, onde ele estava sorridente na fotografia. Uma brisa leve passou-lhe pelo rosto, sentiu que era ele que a beijava em silêncio.
Ela chorava intensamente. Suas lágrimas eram concebidas no coração, derramadas nos seus olhos, rolavam pela sua face e caíam no tumulo dele, manchando-o com marcas de sangue.

Sinto-me Só...


Sinto-me tão só, neste mundo que não me compreende, nem me quer compreender. Tudo não passa de uma ilusão. De um sonho inacabado. De um filme mal realizado.
O Mundo gira. Eu giro com ele. Ninguém me compreende. Eu não compreendo ninguém. Ando à deriva. Sinto-me só, mesmo acompanhada. Contemplo o horizonte. Refugio-me na escuridão. Penso no que poderia fazer e não fiz, por mero medo. Calculo as pessoas que se vão para longe deste Mundo, onde o maior nem sempre é o mais forte.
A realidade é tão diferente daquela que existe nos livros encantados, nas revistas cor-de-rosa, onde existem príncipes encantados, belos castelos, Mundos perfeitos, Amor por todo o lado. A realidade é tão dolorosa. Liga-se a TV, onde está esse Amor? Esse Mundo Perfeito? Os príncipes encantados? Tudo não passa de uma ilusão, que me faz sentir perdida, sozinha. Observam-se guerras, ódio. A luz do dia traz mais um atentado terrorista, mais um mar de sangue. Porquê? Será que ninguém quer saber do que se passa neste Mundo? Será que o dinheiro é mais importante do que o bem-estar da humanidade?
Sinto-me sozinha. Quando fecho os olhos imagino um novo Mundo, que não passa de mais um sonho distante, um sonho lindo, lindo demais para ser verdade. Apetece-me chorar contudo as lágrimas queimam a minha face, deixam marcas profundas, pois sei que nunca ninguém me irá compreender. Ninguém irá ver o Mundo como eu. Sinto-me uma estranha na minha própria casa. Não consigo partir as correntes que me prendem a este Mundo, libertar-me, ser feliz longe de tudo. Construir passo a passo, pedra a pedra o meu próprio Mundo. Secar para sempre as lágrimas, libertar aquele sorriso que o Mundo me obrigou a prender a sete chaves.
Deixo-me embalar pela escuridão. Só ela me vê chorar. Só ela vê corações partidos. Só ela é capaz de esconder aquilo que a luz do sol mostra. Ela esconde aquele azul lindo, brilhante, feliz, calmo do céu. Um azul que só vê sofrimento, agitação, tristeza. A escuridão esconde o medo, o meu medo de encarar o Mundo. O meu medo de chorar, de me sentir sozinha num Mundo com milhões de habitantes.

sábado, 26 de abril de 2008

Passos Perdidos




Perdida no tempo e no espaço, é assim que ando desde o momento que te perdi.
Agora vagueio pelo mundo da imaginação. Perdida. Dando passos em vão. Sem rumo, sem destino.
Minhas lágrimas tapam o brilho das estrelas, as cores do arco-íris perderam-se no mundo da escuridão, a felicidade está trancada num baú longe do meu alcance, a alegria evaporou como uma gota do oceano num dia de calor.
Procuro-te nos oceanos da ilusão, mas perco-me no labirinto da recordação, com medo de voltar ao verdadeiro mundo e ver que só existe dor e solidão.
Cada passo que dou arrisco-me a cair num abismo, desaparecer na sua imensa escuridão sem nunca mais encontrar a luz do sol. Há minha volta só ouço murmúrios, vindos das muralhas de sombras que eu própria construí à minha volta, deixei de ouvir gargalhadas e passei a ouvir o meu próprio choro, onde cada lágrima leva uma parte de mim.
O meu corpo, a cada dia que passa desfaz-se em pó, não me deixando encontra-te para poder preencher no meu coração o pedaço que tu me roubaste.
Onde estou agora? Novamente perdida. Algures num lugar chamado Terra, numa qualquer noite, tentando ver alguma estrela…mas em vão. O meu pensamento está noutro lugar, bem longe daqui. Num outro planeta, noutro Universo…sei lá, também andará perdido, esperando encontrar algo que o faça regressar.
Deixei de caminhar nas nuvens, onde o trilho já estava traçado e comecei a caminhar sobre o deserto da felicidade, para me perder e nunca mais me encontrar.
Tento avançar, mas não consigo, minhas pernas estão presas ao passado, prendendo-me no presente e não me deixando encontrar o futuro. Aqui permaneço segura ao meu Anjo da Guarda na finalidade, de para além dos passos, não perder a razão de viver: o sonho.