domingo, 27 de abril de 2008


Corro. Simplesmente corro...


Corro. Simplesmente corro. Corro sem fim à vista, sem rumo, sempre errante. Corro atrás do vento, de uma estrela, de um olhar, de um sonho, …, não interessa, corro…
O Mundo é feito de corridas: correr atrás do tempo perdido, correr atrás de um amor esquecido, correr, … Fecho os olhos e vejo que tudo passa correndo por mim: o vento, a água do rio, alguém que se perdeu no tempo e agora corre tentando agarrar o impossível…
Posso sentir a brisa tocar no meu rosto, uma brisa suave que me sussurra que mais alguém corre errante pelo tempo. Esqueço-me deste Mundo e posso ver todo o Universo, tocar nas estrela, no tempo, sentir lá longe as pessoas a correr através de ruas e ruelas. Sou capaz de viajar pela imensidão do Universo muito calmamente, enquanto tudo corre, mas naquele momento aprecio as coisas simples da vida: pequenos gestos, frases inacabadas que se calaram para sempre, olhares perdidos, amores sofridos…eu sei que, quando voltar a abrir os olhos, tudo voltará e também eu andarei a correr de um lugar para outro… mas agora tudo é perfeito. Tudo é Meu! Tenho a capacidade de ter o Mundo na minha mão, andar sobre as nuvens, apanhar estrelas como quem apanha um ramo de flores. Até que tudo acaba: eu abro os olhos… Ainda hipnotizada, regresso a mim lentamente. Começa a perceber que tudo passa a correr. Corro também sem nenhum trilho traçado, sem caminho aberto por entre a multidão que corre sem reparar como é perfeito o Mundo. Corro…não sei para onde, nem o porquê, mas corro em busca do infinito, de algo que me pare para sempre.

Corro. Simplesmente corro…