domingo, 27 de abril de 2008


ELA...


Ao longo dos anos Ela foi maltratada, humilhada, esquecida, simplesmente ignorada. Agora foi a sua vez de emitir um pedido de socorro, um aviso de alerta para nos lembrarmos que Ela existe e está saturada, não consegue mais aturar a falta de civismo.
Ela dá-nos tudo o que necessitamos para a nossa sobrevivência. Ela é o nosso refúgio, Ela é a nossa casa, o nosso lar. Al Gore, devido ao seu documentário premiado “Uma Verdade Inconveniente”, evidencia aquilo que a que todos fecham os olhos, aquilo que todos sabem que está a acontecer mas ninguém quer fazer nada por Ela.
Pensar que já é tarde demais é pensar erradamente. Pensar que o problema não nos diz respeito, que cabe aos detentores do poder fazer alguma coisa para minimizar esta situação, esperar que os outros arregacem as mangas é ainda pior que deitar mais um papel para o chão, é mostrar uma falta de civismo, mas também de ética.
A questão não é política, é uma questão global, já que toda a humanidade acarreta com as consequências, com o SOS que Ela envia para todos nós. O aquecimento Global, o degelo, as tempestades destruidoras, a desertificação, que conduzirá à extinção de muitos seres vivos (como o urso polar, as focas, …), ao aumento do nível médio dos oceanos – onde Portugal vai ser muito afectado, uma vez que o oceano inundará a nossa tão bonita costa – o aumento e aparecimento de doenças respiratórias mas também dermatológicas são alguns exemplos das consequências que estamos a assistir.
Não somos só responsáveis por aquilo que fazemos, somos também responsáveis por aquilo que não fazemos.
Se pensa que o problema não lhe diz respeito, pense duas vezes, ou gosta de chegar a casa e vê-la toda desarrumada, toda suja, imunda? Já que não pensa em si, pense pelo menos nos seus netos, nas crianças e adolescentes, nas gerações vindouras que vão sofrer ainda mais com os actos e atitude de hoje. Se toda a gente contribuir o problema pode ser minimizado, basta darmos as mãos e todos juntos todos os dias nos juntarmos e dar um pouco de nós.
Onde coloca aquele jornal, aquela revista que já leu tantas vezes e agora está “fora de prazo”? Aquela garrafa de água vazia que parece já não ter nenhuma utilidade? Uma festa, ao fim onde coloca as garrafas de champanhe, as latas de refrigerante? No lixo doméstico? Não. Existem ecopontos espalhados por todo o lado que servem para transformar o seu lixo aparentemente inútil em materiais úteis que você já utilizou sem saber. Pode ser mais uma garrafa, mais um papel, mas se toda a gente contribuir já serão milhões e Ela agradece.
Está preocupado com a linha? Queixa-se do preço dos combustíveis? O seu emprego é na próxima rua? Porque não vai a pé ou de bicicleta? O seu corpo, a sua carteira e principalmente Ela agradecem.
A conta da electricidade está demasiado elevada? Troque as suas lâmpadas normais por umas de menos consumo, não deixe a sua televisão, computador ligados, desligue mesmo da corrente. Encha por completo a sua máquina de lavar roupa assim poupa água e electricidade.
Sendo Portugal um dos países que recebe maior quantidade de radiação solar, cerca de 2.200 a 3.000 horas anuais, porque é que a nossa energia está tão dependente dos combustíveis fosseis que tanto poluem? Portugal, geograficamente, está numa posição de honra, uma vez que está banhado pelo Oceano Atlântico por um lado e por outro pelo Mar Mediterrâneo e ainda apresenta inúmeras serras por que não aproveitar os recursos que Ela nos dá e utilizar mais energia renovável como o vento e a água?
Ela está doente e com Ela toda a fauna e flora, onde o Homem se inclui. O Homem evoluiu, desenvolveu tecnologias que actualmente nos são tão úteis, mas não podemos afirmar que a nossa evolução foi sempre tão benéfica. Mas que evolução? Uma evolução a pensar só em nós próprios, em melhorarmos a nossa qualidade de vida sem olharmos para Ela, sem nos preocuparmos que Nela está presente tudo quilo que necessitamos.
Não estará na hora de olharmos para Ela com outros olhos? De a ajudarmos a respirar melhor? Afinal de contas o que fazemos com Ela estamos a fazê-lo a nós próprios. Cuidar Dela é cuidar de nós. Ela é tudo o que temos, e ao mesmo tempo não nos pertence.
Ela é a Nossa Terra.
Um Homem não se mede pela sua altura, mas sim pelos seus gestos e atitudes.